Mostra reúne artistas de quatro estados da região Norte e integra a programação do Festival dos Povos da Floresta
A riqueza cultural da Amazônia está em destaque na Exposição dos Povos da Floresta: Ocupação Artística Contemporânea Mairi, aberta ao público no Museu da Imagem e do Som do Pará (MIS-PA), em Belém. A mostra faz parte da programação do Festival dos Povos da Floresta, iniciativa itinerante que reúne diversas linguagens artísticas e conta com incentivo da Lei Rouanet.
Com visitação gratuita até 29 de março, a exposição apresenta obras de artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, reunindo diferentes formas de expressão artística. Entre os trabalhos exibidos estão produções em fotografia, cinema, pintura, desenho, grafite, escultura e multimídia, que dialogam com temas ligados à memória, à cultura e aos conhecimentos tradicionais da região amazônica.
A mostra em Belém reúne produções apresentadas nas etapas anteriores do festival, realizadas em Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Macapá (AP), além de incluir obras de artistas locais.
Segundo a representante do festival, Fabiana Barbosa Gomes, o processo de curadoria foi construído a partir de diálogos e trocas entre os participantes. A proposta é evidenciar as múltiplas perspectivas presentes na Amazônia e proporcionar um encontro entre arte, território e identidade coletiva.
A iniciativa busca destacar narrativas que revelam a pluralidade cultural da floresta, valorizando processos de resistência, reinvenção e protagonismo de artistas amazônicos. As obras convidam o público a refletir sobre pertencimento, memória e patrimônio cultural da região.
Os curadores Lucas Baim e Isabela Bastos explicam que a proposta multilinguagem do projeto permite explorar diferentes formas de expressão artística, conectando elementos de ancestralidade e contemporaneidade presentes na cultura amazônica.
Exposição ocupa espaço histórico
A mostra está instalada no Museu da Imagem e do Som do Pará, o equipamento museológico mais antigo do estado, que ganhou sede definitiva apenas em 2022. O espaço funciona no Centro Cultural Palacete Faciola, antiga residência de Antônio Faciola, figura histórica ligada ao ciclo da borracha.
Para a diretora do museu, Indaiá Freire, receber uma exposição dedicada aos povos da floresta possui um significado simbólico importante. Segundo ela, o espaço passa a abrigar narrativas que valorizam povos indígenas, populações tradicionais e comunidades urbanas periféricas, promovendo uma ressignificação histórica do local.
Festival promove encontros culturais
O Festival dos Povos da Floresta é um projeto itinerante que utiliza a arte como ferramenta para estimular reflexões sobre sustentabilidade, identidade cultural e preservação dos saberes tradicionais. Além da exposição, a programação inclui oficinas, apresentações musicais e outras atividades culturais.
De acordo com Edvania Brito, gerente administrativa da Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia, organização idealizadora do festival, o evento cria oportunidades para ampliar a visibilidade de artistas da região e fortalecer a identidade cultural amazônica.
O festival é apresentado pela Petrobras e realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Governo Federal, por meio da Lei Rouanet. Para a edição atual, foram captados mais de R$ 4,9 milhões através do mecanismo de incentivo cultural.
A coordenadora do escritório estadual do Ministério da Cultura no Pará, Telma Saraiva, destaca a importância da formalização de coletivos culturais para ampliar o acesso a recursos de fomento. Segundo ela, iniciativas como a exposição demonstram como projetos estruturados podem utilizar os mecanismos de incentivo cultural para viabilizar e ampliar suas atividades.